Quando nasci, o obstetra gritou na sala de parto:
- É menina!
E daí em diante se traçou um caminho um tanto quanto comum. Me escolheram um nome femino, pintaram meu quarto de liláz e adquiriram uma certa quantia de vestidos que tinham mais bordados do que o T5 tem de passageiros em dia de passe livre.
Os presentes, nas datas comemorativas, não variavam muito. Ou bonecas, ou panelinhas e pratinhos. Como de praxe, me inscreveram na ginástica rítmica, nas aulas de piano e, por sorte e com ajuda do divino, me deixaram fora do balé.
Na pré-adolescência não mudou muito. Ainda lembro da primeira maquiagem e do primeiro salto alto. Lembro do sutiã que tanto sonhei, mesmo que sabia que não tinha o mínimo de peito necessário pra conseguir usar um. E, como esperado, veio também a tentativa de educação para a moral e os bons costumes.
- Namorar só depois da faculdade, diziam.
E mesmo assim, na adolescência deram força para a minha primeira paixão. Podia não ser perfeito, mas era melhor que muita coisa – pensavam.
E desde sempre fui menina, usei rosa, me olhei no espelho, me amei.
E hoje, aos 23 anos, pela primeira vez, sinto que não preciso mais 'ser mulher, feminina, dócil como toda mulher deve ser'. Me dei conta que posso ser simplesmente eu mesma, com meu jeito, minhas características. E isso reforça que no fundo somos todos seres humanos, temos um lado feminino e um masculino, e amamos, sentimos e vivemos independentemente do sexo ou da cor da roupa preferida. Homens ou mulheres, somos todos iguais.
- É menina!
E daí em diante se traçou um caminho um tanto quanto comum. Me escolheram um nome femino, pintaram meu quarto de liláz e adquiriram uma certa quantia de vestidos que tinham mais bordados do que o T5 tem de passageiros em dia de passe livre.
Os presentes, nas datas comemorativas, não variavam muito. Ou bonecas, ou panelinhas e pratinhos. Como de praxe, me inscreveram na ginástica rítmica, nas aulas de piano e, por sorte e com ajuda do divino, me deixaram fora do balé.
Na pré-adolescência não mudou muito. Ainda lembro da primeira maquiagem e do primeiro salto alto. Lembro do sutiã que tanto sonhei, mesmo que sabia que não tinha o mínimo de peito necessário pra conseguir usar um. E, como esperado, veio também a tentativa de educação para a moral e os bons costumes.
- Namorar só depois da faculdade, diziam.
E mesmo assim, na adolescência deram força para a minha primeira paixão. Podia não ser perfeito, mas era melhor que muita coisa – pensavam.
E desde sempre fui menina, usei rosa, me olhei no espelho, me amei.
E hoje, aos 23 anos, pela primeira vez, sinto que não preciso mais 'ser mulher, feminina, dócil como toda mulher deve ser'. Me dei conta que posso ser simplesmente eu mesma, com meu jeito, minhas características. E isso reforça que no fundo somos todos seres humanos, temos um lado feminino e um masculino, e amamos, sentimos e vivemos independentemente do sexo ou da cor da roupa preferida. Homens ou mulheres, somos todos iguais.

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