quinta-feira, 22 de julho de 2010

O médico doente ou Cada merda que a vida apronta

Complicado é o paradoxo. Pela manhã uma menina linda morrendo, os cuidados intensivos, a tristeza, a sensação de impotência.
A tarde vem um qualquer, que de jaleco se diz médico. Mal olha no rosto, não pergunta nem conversa. E solta um diagnóstico besta como se não fosse nada. Pra mim é, sou eu que estou doente. Não dou a mínima se ele vê essa doença todos dias, se ele sabe tudo sobre sua fisiopatologia. Eu exijo empatia, respeito, esclarecimentos.
Ele não é melhor que eu, então porque se eu dou a atenção devida aos meus pacientes, se eu atendo a todos como se não houvesse amanhã e como se houvesse tempo para todas suas dúvidas, porque comigo precisa ser diferente?

E eu tentei afogar as mágoas com milkshake, comprando uma manta, deitada na cama quente com o aqueçedor ligado. E a dor não passou e não sei se vai passar tão cedo.
Tenho certeza que, se pelo menos eu estivesse longe, tudo seria mais fácil. Mais dia, menos dia, estarei curada, estarei longe e estarei feliz.
E pelo menos saberei que, sempre que alguém pegar doença, baixar hospital ou morrer, eu farei o máximo para minimizar a dor. Afinal, se é ruim ficar doente, pior ainda é sentir-se só e desamparado.

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