quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Emoção no transporte coletivo

Estava eu, interna da PUCRS, indo para mais uma noite de plantão na sala 2 do HPS, àquela sala para onde vão os cortados e ensanguentados para que nós, experientes doutorandos, façamos alguns pontinhos. Meu coração era só alegria e felicidade.
No transporte coletivo, como de costume em dia de futebol, os colorados já com a cachaça na mão eram respossáveis por irritar boa parte dos passageiros. Entoavam em coro os famosos hinos, batucavam nas paredes do ônibus e passavam de mão em mão a garrava de coca cola que, nós bem sabíamos, estava batizada com uma pequena quantidade de etanol.
Enqunto se davam os momentos de alegria dos torcedores e irritação dos usuários do tranposrte eu só pensava: “Taí alguns dos bêbados que chegarão no meio da noite, completamente embriagados, com a cabeça literalmente aberta, para eu suturar. Maravilha.”
E não é que o motora, provavelmente gremista, pára o ônibus num posto da polícia e relata a desordem que os guris provocaram no buzum. Pronto! Se instalou a revolta total. Os pivetes negando sair do veículo, os policiais ameaçando com cassetetes, a população gritando em defesa dos piás (-Deixa os guri, podiam tar roubando!!.... Eles só tão cantando!...) e o motorista chingando os passageiros (-Nunca vi defender vagabundo!).
E eu, uma calma usuária do transporte coletivo, já com o humor tranquilo sabendo tudo que me esperava em mais uma noite no HPS, só queria chegar em paz no meu serviço. E faltavam só 5metros pra minha parada quando deflagrou a rebelião.
Por fim, os piás foram levados. Provavelmente os porcos iam confiscar a bebida, revistar seus bolsos a procura de baseados, dar umas pauladas e liberar os guris. Talvez não fossem esses que eu iria costurar a cabeça mais tarde, mas, de qualquer forma, eu sabia bem que ainda havia um bando de colorados prestes a se ferir naquela quarta-feira à noite, dia do amado futebol brasileiro.

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