segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A casa do lado

Conheço cada nuace de sua voz grossa e rouca. O timbre, mais alto do que eu gostaria. Um convívio péssimo com sua mãe, que eventuamente o visita. Não sei se ele vem usando drogas, ou se seu comprtamento sempre foi assim: beirando o anti-social. Quando ela chega, com um rancho e supermercado, ele esculacha.

- Se eu quisesse nissim, comprava. Diz ele. Eu preciso é de dinheiro. Sai daqui, sai daqui.

Pude conhecer, também, a forma maldosa que tratava a Silvia, namorada. De vagabunda para baixo, não faltaram adjetivos para qualificá-la.

Ela não queria mais ele, esse era o problema. Mas eu entendia perfeitamente o porque.

Seu dia a dia é no computador, quieto, até que chegue alguém para tirar seu sono. Até que venha alguém lembrar de sua vida de raiva e inutilidade.

E quando isso acontece o bairro inteiro já sabe do que se trata.

Nunca vi seu rosto mas conheço como se fosse um amigo. Ou um inimigo.

E com um vizinho assim não preciso mais de problemas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário