domingo, 18 de abril de 2010

Caos

Ele me abordou no corredor.
Estava no celular, ouvi ele falando que ia desligar porque queria falar com a 'doutora'.

Me disse que queria ir embora, não entendia porque estava internado.
Ele precisava de cuidados, de remédios, curativos diários. Mas nem eu, nem ninguém, entenderia porque mantê-lo ali.
Sentado há alguns dias numa cadeira, cercado de doentes terminais e tuberculosos.
E os funcionários já não davam conta de fazer seus curativos, de lhe administrar os remédios... Tamanho o número de pacientes que ali se aglomeravam, empilhados em cadeiras.

Uma moça, do lado dele, dizia que iria processar o hospital, afinal ela queria ser internada para tratar seu problema. O que ela não entendia era que ela na verdade ESTAVA internada, aquilo ali era a internação. Nada de macas, quarto hospitalar. Ali era assim, todos em cadeiras, num corredor estreito, até que Deus tivesse piedade e conseguisse algum leito para uma alma cansada...

E ao meu paciente, eu quis dizer: te manda rapaz. Em casa tu estará melhor.
E sobre ir lá fora fumar? Como posso te impedir?
E no dia seguinte conseguimos dar alta para ele.
Para felicidade dele, e para minha paz interior.

Nenhum comentário:

Postar um comentário