sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

22 anos

Eu era uma sonhadora nata. Aos 13 anos imaginava que, ao pegar ônibus, podia ao meu lado sentar um príncipe, que mudaria meus dias e traria a felicidade plena. Achava que sim, ia aparecer a grande paixão que arrebataria meu coração, me tiraria da rotina sem graça em que vivia e traria emoção, sexo e todo o resto para minha vidinha pacata.
Até que aconteceu. Foi melhor do que sonhei.
Até que acabou.
E hoje já não tenho mais 13 anos. Envelheci.
Perdi a criança sonhadora que vivia dentro da adolescente rebelde. Perdi.
Parece que, de repente, me dou conta que já deixei de lado planos de felicidade eterna ao lado de um grande amor. Não acredito mais que vá surgir o tal príncipe pra me tirar dessa vidinha tediosa.
E eu percebo que não são só rugas que acumulamos com o passar dos tempos. Acumulamos sofrimentos, angústias, decepções. E a percepção de que a vida não é um conto de fadas, que a realidade nem sempre é como sonhamos e que o dia de hoje é muito mais importante que o amanhã.
E talvez seja por isso que hoje eu prefiro pensar como será a festa do final de semana, ao lado dos meus amigos, conhecendo gente nova e me divertindo, do que sonhar que, novamente, descobrirei o sentido da palavra amor.

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