sábado, 28 de novembro de 2009

Diferente de quem?

Ser diferente
Pensar diferente
Agir diferente

O diferente atrai, chama atenção, interessa. Eu, rebelde por natureza, criei com o tempo uma atração fatal pelo considerado diferente. O alternativo. Desse sentimento veio uma relação de amor e ódio, conflituosa e complexa.
Afinal de contas, aos 15 anos eu pintei o cabelo de rosa porque realmente achava bonito ou porque precisava me afirmar como diferente daquilo que eu repugnava, ao mesmo tempo que me inseria num novo grupo social?
É complexo, como falei.
Independente da causa, ser diferente não é fácil. A todo tempo a gente acaba tendo que explicar o porquê de algumas escolhas ou atitudes.
Afinal de contas, porque durante 4 anos da faculdade eu nunca fui em festa da medicina??
Porque eu uso all star?? Eu sou roqueirona?
Porque eu não quero ter filhos?
Porque eu não estou nem aí pra constituir família, não acredito em fidelidade, não me importo com Natal e outras datas capitalistas?
O diferente atrai. E é por isso que já perdi tantas horas explicando como são as festas do 'underground' que já tanto freqüentei. Como é o submundo que poucos conhecem, o mundo do hedonismo onde gays e heteros se misturam, onde a música ensurdece e o álcool faz qualquer um perder a cabeça.
E é por isso que acho que, se não mudar de idéia, ainda vou ter que explicar pra muitas pessoas como eu posso decidir não querer ter filhos. Optar por não ser mãe.
Mas de certa forma já me acostumei com tudo isso. Eu sempre me senti absurdamente diferente das minhas amigas de colégio. E na faculdade não é diferente.
Mas existe, sim, um grupo de pessoas com quem me identifico. Pessoas que me fazem ver que não somos todos iguais, que cada um tem seus defeitos, qualidades, e não é porque uma pessoa não pensa da mesma forma que eu, que terei menor afinidade ou empatia por ela.
Minhas amigas... Eu sei que elas estarão sempre do meu lado, e que compreenderão todos meus motivos sem fazer mil perguntas quando eu fizer alguma escolha pouco tradicional.
Afinal, elas me entendem mais do que eu mesma posso me entender.
E é por isso que não deixo de lado minha forma única de ver e viver o mundo: Minhas roupas nem sempre arrumadas, minha atração pelo underground e meu desejo de não gestar.

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