quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Acidente?

Muitos amigos, popular na faculdade, divertido, brincalhão, festeiro. Médico, estudioso, dedicado. Era um cara que sabia aproveitar o presente, e, a princípio, tinha um futuro e tanto. Mas em sua ânsia de viver cada momento, em sua necessidade de extravasar alguma agonia, em sua personalidade muito impulsiva e quase nada comedida, ele se perdeu.
Não, não foi na noite que ele bateu o carro que ele se perdeu. Já estava perdido há muito tempo. Parece até que só um cego ou alienado não perceberia que esse fim era óbvio, mas é impressionante como nunca temos a capacidade de notar o que acontece ao nosso redor antes que a tragédia aconteça.
No nosso mundo o álcool impera em todas festas, achamos normal beber e dirigir, praticamos sexo sem camisinha, andamos a 140km/h nas estradas. E ainda achamos que somos saudáveis.
Aonde foi parar a consciência do jovem, o mesmo que há algumas décadas já era pai de família, trabalhava e sustentava a casa? O jovem da atualidade se perdeu no meio de um mundo egoísta e competitivo. E, perdido nesse mundo individualista, deixou pra trás todo senso crítico, de responsabilidade e de amor próprio. Hoje, jovens de 20 e poucos, que já deveriam estar maduros o suficiente para saber ao menos o valor que a vida tem, deixam-a escapar de forma simplória, como se na verdade a VIDA já não tivesse mais valor algum. E, para a psiquiatria, esse não foi um acidente. Foi, na verdade, um para-suicídio.

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